domingo, 3 de junho de 2012

ABC pode jogar no Nazarenão


            Ontem ganhou mais um episódio aquilo que já se discutia e se comentava nos bastidores: O ABC pode mandar seus jogos no Estádio Nazarenão em Goiaininha. A ideia teria sido mais uma vez cogitada em reunião realizada após mais um revés no Frasqueirão.

            A sequência de derrotas dentro de casa esse ano aliada à vitoriosa campanha do América dentro do Nazarenão fizeram com que se passasse a cogitar o uso alternativo do estádio de Goianinha tendo como pretexo a reforma dos refletores por que deve passar o Frasqueirão nas próximas semanas. Assim, o ABC jogaria os próximos 3 jogos como mandante no Estádio Nazarenão.

            O argumento da reforma dos refletores faria com que as verdadeiras razões da mudança não fossem reveladas: “É um campo pouco menor do que o nosso, onde a torcida exerce a maior pressão. Em resumo, é perfeito para a nivelada Série B” foi o que teria dito um dos que compõem a linha de frente do ABC.

            Por enquanto, muita desconversa sobre o assunto pelos que compõem a diretoria e poucas declarações. Mas qualquer um que transita pelos bastidores alvinegros sabe que o comentário é esse e pode ganhar mais força ainda na próxima reunião da diretoria.


sexta-feira, 2 de março de 2012

A maior repercussão da Ficha Limpa até agora!

Das repercussões que a Ficha Limpa teve e ainda terá, essa é a maior de todas. Está na Gazeta de Pernambuco de hoje:

Advogado quer aplicar ficha limpa no casamento

Um processo judicial vem dando o que falar em Pernambuco. O comerciante C.V.L. propôs ação de separação litigiosa contra sua esposa alegando que teria havido má-conduta por parte dela enquanto ainda eram namorados. A ação judicial, proposta na 14ª Vara Cível de Oricuri/PE, pretende discutir a aplicação da boa índole no histórico daqueles que pretendem se casar. Na prática, o requerente pretende uma espécie de incidência de ficha limpa também no casamento.

Na peça, o autor alega que ao se casar com B.C.L, não tinha conhecimento de que ela teria trabalhado por 03 meses como Terapeuta Especialista em um estabelecimento chamado “Casa de Massagens Afrodite” localizado em Sousa, no sertão paraibano. Segundo consta da ação, “o estabelecimento, apesar da identificação como massagens, era reconhecido pela população como um ambiente promíscuo e destinado a fins libidinosos”.

O advogado da parte autora, Clóvis Vasconcelos, afirmou que é possível a adoção da ficha limpa também nas relações privadas. “A tese que defendo é que o casamento é uma instituição com a mesma proteção constitucional das eleições. Se há ficha limpa para estas, também deve haver ficha limpa e honestidade nos atos anteriores ao casamento.” afirmou.

Procurado, o advogado da esposa afirmou que sua cliente soube da repercussão da ação na cidade, mas ainda não foi oficialmente citada. Questionado sobre os fatos, o defensor deu a entender a linha de defesa que irá adotar: Que deve existir honestidade, você não tenha dúvidas. Mas é jocosa a tentativa de aplicação da lei da ficha limpa nos atos anteriores ao casamento. Além disso, o que aconteceu anteriormente ao casamento, precluiu ou transitou em julgado com a celebração deste. finalizou.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Copa do Mundo Natal/Cerro Corá 2014

Segundo o Blog do Seridó, Cerro Corá também quer fazer parte da Copa do Mundo. Vai deixar, Mossoró?

Confiram:


CERRO CORÁ PRETENDE HOSPEDAR SELEÇÃO NA COPA

O Município de Cerro-Corá, distante 162 km de Natal, apresentará na próxima segunda-feira um pedido à FIFA para hospedar uma das seleções que jogarão na capital potiguar na Copa do Mundo de 2014.

O Secretário de Turismo do Município, Clóvis Borges, afirmou que não se trata de uma mera intenção, mas sim de um projeto viável pelas condições da cidade: “Natal provavelmente receberá uma seleção européia. Temos aqui o mesmo clima existente na Europa. Além disso, o isolamento proporcionado pela serra dará à seleção beneficiada a concentração necessária para uma boa disputa dos seus jogos. Estamos também há pouco mais de 01 hora e meia de Natal. ”

Se a iniciativa for aprovada pela FIFA, o Secretário informou que o projeto envolve a construção do Centro de Treinamento “Clidenor de Araújo Pereira”, já batizado de ‘Codozão’ e de um hotel temático, com estrutura e alimentação adapatadas para a seleção que vier, que servirá de atração turística após a Copa do Mundo

O projeto é ousado: “Queremos ter em Cerro Corá após a Copa do Mundo transformação que teve Parnamirim após a 2ª Guerra Mundial” justificou o secretário.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Festa de casamento

Festa de casamento é um desmantelo.

Do começo (e quando eu falo começo estou me referindo desde a iniciativa de casar) até o último minuto da festa é tudo desmantelado.

Reparem bem quando algum amigo seu diz que vai casar. “Amigos, vou casar”.

E vai mesmo. Se ele disser isso HOJE, o ato ocorrerá em 2013, no mínimo. É um mundo, uma vida inteira desde o momento em que se decide casar até o casamento.

E vocês sabem por quê?

Por que a festa de casamento é um desmantelo.

Vamos adiantar no tempo. Vou pular algumas etapas do processo (escolha do local e igreja, aluguel do vestido de noiva e paletó, Buffet, etc...) até a formação da lista de presentes.

Aí está algo que não é feito por um homem. Definitivamente.

Outro dia fui a Rio Center comprar um presente de casamento e uma moça simpática me apresentou a lista. Dos 256 presentes da lista, só sabia a utilidade de um deles: “06 tulipas para cerveja”.

O resto eu não sabia para onde vem, nem para onde vai.

Ou alguém acha que eu realmente sei a finalidade de uma “caçarola com tampa”, um “garfo grande para trinchar” (garfo não tem apenas uma utilidade não?!) ou uma “espátula para bolo”?

Mas nenhum deles me chamou tanto atenção quanto o “Balde Imperial de Champagne com divisória”.

Mas é claro que eu gostaria de ganhar isso. Afinal, me perco nas vezes em que já fui nas casas dos meus amigos tomar champanhe. Vou dar esse balde e na próxima vez que formos tomar um champanhe direi: “Poxa, joca, baldezinho fuleira, hein? Nem divisória tem!


Pois é, além de o balde ser pra champanhe, é COM divisória.

Eu dou presente que tenha utilidade. No casamento de outro amigo, por exemplo, não gostei de nada da lista e comprei-lhe, em outra loja, um microondas. Quando fui visitar o amigo em seu apartamento, o eletrodoméstico estava no canto, pois ele já tinha um na residência. Hoje é bem útil como tamborete. Mas pelo menos usam!

E não invente de comprar o presente por último, viu?

Relapso, costumo deixar pra última hora. E sempre acontecem 2 coisas, uma boa e outra ruim. A ruim é que só sobram os presentes mais caros e eu me fodo no bolso. E a boa é que eu vejo o nome da galera na lista e vejo quem são os galados que compram logo os mais baratos. Tenho o nome de todos.

Um deles tem muito amor pelos Estados Unidos. Afinal, em 03 casamentos seguidos comprou o conjunto de copo americano de R$ 26,90.

Já ficou de fora da lista de convidados?

Então você não entende nada de descontração.

Foi com uma dessas que eu aprendi a ter mais cuidado quando eu digo quem é meu amigo.

Certo dia, travei o seguinte diálogo com um amigo:
- Ei, você conhece Fábio né? – Perguntou meu amigo
- Fabinho?? – Respondi já na intimidade - Que é isso pô..Fabinho é meu truta porra! Amigão, porra. Fale mal de Deus, mas não fale mal de Fabinho na minha frente.

E aí meu amigo me fez uma pergunta bem simples:

- Vai pro casamento dele?
- Ele vai casar?????

Pois é. Fiquei de fora do casamento do meu amigo. Que depois dessa foi rebaixado para “conhecido”.

E recentemente também fiquei de fora do casório de outro amigo. Estou pensando seriamente em rebaixá-lo a conhecido também.

Mas uma coisa é certa: Não estarão no meu casamento!

Esse é o lado bom de casar por último depois dos seus amigos. Você espera todo mundo casar, a turma vai casando e você vai só anotando quem lhe chamou ou não. No final, você prepara a lista completa do seu casamento e risca com força os que não lhe chamaram. Com força mesmo.

Quando tiver o meu no futuro eu terei duas alegrias: Estar casando e não tê-los no meu casamento.

Estou pensando em enviar a lista do meu casamento pra casa deles e colocar uma anotação lá embaixo: “Tá vendo essa lista? Você não está nela!” Sou vingativo!

Ou mandar um daqueles guias do “Solto na cidade” e dizer: “Ó, arranja um programa aí pro dia 04 de novembro, porque é o dia do meu casamento e você não vai.”.

Pois é.

Todo mundo convidado, vem um dos momentos de maior aflição do casório: a igreja.

Eu fico extremamente aflito na igreja. Não pelo momento, pelos noivos, nada disso.

Eu fico aflito pois nunca consigo adivinhar o que o padre quer.

Passo a missa inteira com a cabeça pro lado, olhando a pessoa que está ao meu lado. Se ela se levanta, eu me levanto. Se ela se senta, eu me sento. Se ela estende a mão, eu seguro e dou a mão pro do lado. Se ela fecha os olhos e reza, eu fecho só um deles e fico com o outro aberto, balbuciando alguma coisa e espiando, esperando o próximo passo.

Não posso fazer feio na igreja.

Aliás, qual é o critério que o padre utiliza para em tais palavras as pessoas ficarem sentadas e nas outras ficarem em pé? Ele bem que poderia explicar.

E aí, casados, vão os noivos e convidados para a festa de casamento. E segue-se o protocolo:

Até as 22 hrs: Todos de paletó
22 hrs às 00 hrs: Já se pode ver alguns sem o paletó pelo salão e com a camisa dobrada.
00 hrs às 01 horas: São poucos, mas já se vê alguns com a camisa desensacada.
01 hrs às 02 hrs: Paletós inexistentes, camisas desensacadas e gravatas desajeitadas viram regras, além de bêbados querendo subir ao palco para cantar.
02 hrs em diante: Gravatas na cabeça, bêbados ricos e mentirosos.

É sempre assim. Não muda. Tem outros detalhes, mas a essência é essa.

Enfim, quer casar? Vai num cartório e casa. Porque festa de casamento, meu cumpadi, é um desmantelo.





quinta-feira, 26 de maio de 2011

Intimação pelo twitter

Olhaí o Direito se modernizando! Na Gazeta de Paraíba de ontem, olha a notícia:



A Juíza da 7ª Vara Criminal da Comarca de Bayeux/PB negou pedido de advogado que pretendia que fosse decretada a nulidade de audiência de instrução e julgamento em razão de sua intimação para o ato ter se realizado por mensagem eletrônica de rede social (“twitter”) transmitida pelo Diretor de Secretaria daquela Vara.


O advogado alegou, em sua petição, que não tomou conhecimento da intimação pela via eletrônica mencionada, por não acessá-la com freqüência. Sustentou, ainda, que as intimações para os atos processuais (caso de intimação para audiência) devem se dar por publicação no diário oficial.


O Ministério Público opinou pelo indeferimento do pedido, uma vez que a referida mensagem (consistente em “@SarmentoJoao @Clovisfloresadv Intimação: audiência de inst. e julgamento 13/04/11 às 14:00 hs, proc. 000567-2010”) foi endereçada diretamente ao advogado e continha os elementos necessários ao conhecimento do ato. Ademais, ressaltou o MP que o referido advogado, poucas horas depois, respondeu indiretamente à intimação/mensagem, o que levaria a conclusão de que foi intimado (@Clovisfloresadv @SarmentoJoao ok. Vamos para Garota Safada sábado?”).


Na decisão, a magistrada entendeu que a ausência do patrono à audiência foi injustificada. Ressaltou que “embora o ato de intimação não tenha sido publicado em órgão oficial, o advogado tinha conhecimento de que iria haver a referida audiência na data e horário mencionado, uma vez que respondeu ao ato de intimação transmitido pela rede social e, como também mostrado pelo MP, diferente do que alega, possui freqüente acesso àquele meio eletrônico”. A Juíza entendeu, ainda, que não houve qualquer prejuízo à parte, uma vez que, diante, da ausência de seu advogado constituído, foi representado por defensor dativo do Juízo, que participou ativamente do ato, formulando perguntas às testemunhas inquiridas.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Advogado tem publicidade de site de compra coletiva suspensa.

Deu na Tribuna do Norte de hoje. Precedente Fantástico e justo!



ADVOGADO QUE ANUNCIAVA EM SITE DE COMPRA COLETIVA TEM PUBLICIDADE SUSPENSA



Inaugurando precedente, a Juíza da 3ª Vara Cível do Fórum da Zona Norte de Natal/RN acatou pedido liminar formulado em Ação Cautelar ajuizada pelo Advogado J.S.O. para suspender anúncio de outro advogado oferecendo serviços advocatícios em site de compras coletivas na Internet.

Segundo narrou o autor na inicial, o advogado D.C.L, no mês de março, ofereceu, no referido site, “descontos de 50% em Habeas Corpus, Pedidos de liberdade provisória e relaxamentos de prisão e demais causas em geral na área criminal e cíveis” ressaltando que o anúncio foi realizado de forma reservada, de forma que os só os consumidores cadastrados no site poderiam ter acesso à promoção.

A inicial afirmava que, até o ajuizamento da ação, foram vendidos 1.053 cupons (ferramenta pela qual o consumidor pode cobrar o serviço comprado) que poderiam ser utilizados a partir do dia 06 de abril até o dia 06 de Setembro de 2011. Disse o Advogado autor que a oferta contraria, dentre outras normas, o Estatuto da OAB e os princípios que regem a advocacia e o Direito do Consumidor, além de se tratar de concorrência desleal praticada por aquele advogado.

Ouvido previamente, o advogado D.C.L afirmou que não há norma proibindo a prática. Segundo ele, o Direito é ciência moderna, dinâmica e a oferta do serviço por meio de site de compras coletivas é tendência nova a ser acompanhada pelas novas relações jurídicas de direito eletrônico que se formam. Ressaltou ele, ainda, que o anúncio foi feito de forma reservada, de forma que não seria abertamente ofertado ao público, mas apenas a clientes previamente cadastrados no site.

A decisão, porém, acatou o pedido da Inicial. Segundo a Magistrada, ficou comprovado que o anúncio realmente existe nos moldes apresentados pelo autor o que fere os princípios básicos que regem as relações entre os advogados e pelos advogados. Segundo destacou a magistrada, “ainda que não houvesse a ofensa em qualquer norma de direito posto, a prática ofenderia aos mais basilares preceitos do caro exercício da profissão de advogado, que não pode ser oferecida a varejo, como, de fato, se apresentava na oferta do site”.

A Juíza determinou, ainda, a imediata retirada da publicidade do site, a devolução do dinheiro pago aos clientes e a expedição de ofício à OAB para apuração de infração disciplinar pelo advogado anunciante.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Eita política réia desmantelada...

Há uma linha tênue entre a política e o humor. E que se torna cada vez mais próxima à medida que o tempo passa. Nessas eleições, perceba bem, esses dois ramos da ciência (sim, porque humor é uma ciência) estão umbilicalmente ligados. Tá tudo liberado. Sábia decisão do Supremo Tribunal Federal.

E eu já vou logo dizendo: meu voto é de quem me apresentar a proposta mais engraçada. Na eleição passada também agi assim e votei em um candidato sensacional. Ele simplesmente fez a mais genial de todas as promessas: prometeu tudo o que todos os outros seus concorrentes prometiam e disse que iria fazer um pouco mais. Pronto, ganhou meu voto. Ora, se uma eleição é para comparar propostas, então por que eu não votarei naquele que propôs tudo exatamente igual ao outro e ainda vai fazer mais? Agi com minha consciência e tasquei o voto nele. Não ganhou. Os outros, que tinham propostas iguais – mas não prometiam mais, como meu escolhido – se elegeram. Droga.

Nesta eleição eu muito provavelmente votarei nulo aqui no RN. Está muito séria a campanha aqui. Não pode ser assim.
Relataram-me que um jovem, na Festa de Santana deste ano, abordou quase todos os candidatos que passavam na sua frente pedindo aperto de mão. O rapaz perguntava - como todos os eleitores deveriam fazer - se eles estavam apertando a mão dele para pedir-lhe votos. Com a resposta afirmativa, sempre ouviam do jovem: - Então me diga suas propostas! . Alguns não sabiam responder, outros não queriam responder, outros desconversavam, outros perguntavam como estava a família (?!?!?!) e um, apenas um, se deu ao inútil trabalho de responder atenciosamente. Falou sobre propostas para a juventude por contados 5 minutos. Mas perdeu o voto do garoto, pois as propostas, apesar de até guardarem uma certa lógica, simplesmente não eram engraçadas. E ouviu uma sincera declaração: Não voto em você.

Após isso, revoltado e após algumas cervejas, juntou cinco amigos e ele mesmo, naquele sublime momento, lançou sua candidatura. Saiu pelas ruas caicoenses cumprimentando eleitores ao som de uma música composta e cantada pelos próprios amigos que o seguiam na caminhada: “É o deputado que vem lá do Seridó! É o deputado que chegou para vencer!”. Poderia até ter continuado na investida da campanha, mas foi contido pelos próprios membros do seu comitê de campanha quando desafiou no microfone todos os políticos que estavam ali para um debate naquele exato momento.

Votarei nulo, como disse, no Rio Grande do Norte. Pois meu candidato está em São Paulo. Francisco Everardo Oliveira Silva, eis o nome dele. Em seus programas ele diz que não sabe o que um Deputado federal faz (é o cargo a que se propõe), mas nos promete contar tudo se eleito for. Afirma, com toda sinceridade, que pretende ajudar os mais necessitados, inclusive a família dele. Mesmo com o espelho incontestavelmente provando o contrário, se acha um candidato lindo. E, de forma impagável (por favor vejam isso no youtube), disse que vai morrer (aliás, MORRREEEEEEERRR, conforme suas próprias palavras) se não votarem nele. Eleja-se, por favor, eleja-se!

Mas o texto de hoje tem um destinatário certo.

Gosto muito de um certo ex-prefeito de uma cidade do Nordeste. Ele não é engraçado por natureza, mas é protagonista das histórias que eu mais gosto de ouvir e sempre me falam. Sou fã dele. Contarei apenas uma.

Além de prefeito, era vaqueiro. E dos bons. Não era difícil vê-lo na disputa final de uma vaquejada. E, quando era prefeito do seu município, resolveu patrocinar a grande vaquejada que lá aconteceria. Acertou com os organizadores que daria R$ 10.000,00 para o vencedor.

O problema é que ele também correria a vaquejada. E, como dito, ele era vaqueiro dos bons. Tinha grandes chances de ganhar. O que – merecidamente, digo sem sacanagem – acabou de fato acontecendo. Após intensa disputa com outros vaqueiros da região, o prefeito acabou derrubando o último boi na faixa e se sagrou o legítimo campeão.

Na hora da premiação, entregaram um cheque de um dos patrocinadores, uma grande empresa, para o terceiro lugar, no valor de R$ 4.000,00. Ficou bastante contente. Entregaram, para o segundo colocado, um cheque de outro patrocinador no valor de R$ 6.000,00 e ele também ficou visivelmente alegre.

Na hora de entregarem a maior premiação para o grande campeão perceberam nele um certo desconforto e inquietação. Não tinha o sorriso do segundo, nem do terceiro colocado e estava visivelmente nervoso. Não entendiam muito bem um sentimento tão contraditório diante de um momento de tanta alegria.

Entregaram um cheque no valor do prêmio (R$ 10.000,00), mas foram surpreendidos:
- Não aceito o cheque que estão me dando – surpreendeu o campeão.
- Que é isso, prefeito – disseram os organizadores, acreditando que se tratava de um grande gesto de humildade – você mereceu o título. Correu como um grande vaqueiro.
- Não aceito. Vamos fazer o seguinte. A premiação para o campeão não era R$ 10.000,00 ? Então que tal me darem os dois cheques aí, que juntos dã R$ 10.000,00, e entregarem este aqui pra eles dois?
- Mas não dá no mesmo, Prefeito?
- Mas eu quero aqueles dois. Sou o campeão e tenho o direito de escolher.

E ficou aquela confusão inusitada até que um dos organizadores, enfim, entendeu o que estava acontecendo. Percebeu ele que o cheque de R$ 10.000,00 estava assinado pelo prefeito. E, ligando as coisas, sentenciou:

- Prefeito, está aqui o seu prêmio (entregando-lhe o cheque de R$ 10.000,00) e dou por encerrada a vaquejada. Parabéns e faça bom proveito do prêmio.
O campeão ficou com um sorriso amarelo e saiu meio sem comemorar.
Digam-me, amigos, que mal há de receber o próprio cheque que você mesmo passou?
Sei não.
Vocês sabem?